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19/12/2017

Rota ciclística no vale do Reno passa por cervejarias, parques e castelos

“Cerveja e bicicleta? Aqui?”, questiona a recepcionista, logo no check-in do hotel, em Mainz. A reação com ar de deboche tem algum sentido. Não por causa da bicicleta. A cidade, como quase todas da Alemanha, é cortada por ciclovias seguras.

O local, porém, fica encrustado no vale do rio Reno (no oeste), rico em vinícolas que produzem o tradicional riesling.

A região não é mesmo a mais óbvia para uma viagem cervejeira pelo país que promove, em Munique (a sul), a maior festa regada a lúpulo do mundo, a Oktoberfest.

Por outro lado, estamos falando da Alemanha. Para onde o nariz apontar, acha-se uma rota cervejeira. São mais de 5.000 tipos da bebida espalhados por mais de mil cervejarias, quase um 7 a 1 da cerveja em relação ao Brasil.

Assim, o vale do Reno começa a ser explorado pelo turismo etílico, não só dos vinhos, mas também das boas cervejarias locais ao longo de um caminho cheio de castelos e parques, sempre às margens do límpido Reno.

A viagem, organizada por uma empresa brasileira que promove passeios ciclísticos pela Europa, a GoBiking (€ 1.781, ou R$ 6.800, sete noites, em quarto individual e com aluguel de bicicleta por cinco dias), sugere um trajeto conhecido na região: partindo de Mainz, a poucos minutos de trem de Frankfurt, passando por pequenas cidades, como St. Goar e Koblenz, e terminando em Colônia, após mais de 200 quilômetros de pedaladas e rodadas de cerveja.

O grupo de cinco pessoas é guiado por Steffen Ohnemüller, alemão que escolheu São Paulo para viver e onde comanda uma cervejaria. Apesar da barriguinha de chope, ele pedala com desenvoltura à frente de um conjunto eclético, incluindo ciclistas de primeira viagem que andam num ritmo tranquilo.

Ainda em Mainz, antes da primeira pedalada, é possível experimentar pratos locais (muitas salsichas) no bar Eisgrub Brau, uma “gasthausbrauerei”, ou gastropub, que serve a própria cerveja, fermentada e produzida nas suas dependências.

Lá, dividem espaço a helles märzen, cerveja leve, mais comum em Munique, mas que se espalha pela Alemanha, e a schwarzbier, opção escura, com maltes torrados. Essas cervejas costumam ser servidas em canecas de cerâmica, que conservam a temperatura por mais tempo. Em mesas mais animadas, no entanto, o chope é bebido em metro mesmo.

A entrega das bicicletas, respeitando altura e peso do ciclista, é feita pela empresa alemã Velociped. Todas são equipadas com bomba para os pneus e um alforje, no qual é possível carregar uma ou outra peça de roupa, documentos e guloseimas ou bebidas compradas no caminho. Óculos e protetor solar são bem-vindos. Já o capacete não é item obrigatório.

Após 40 quilômetros de pedaladas, com pequena parada para o almoço -sempre com boas opções de bratwurst (a salsicha alemã) e cervejas Bitburger ou Radeberger, tradicionais pilseners-, chega-se à pequena Rüdensheim, onde a atração é o teleférico, que proporciona vista dos vinhedos e do Reno.

No alto, fica o Niederwalddenkmal, ou o monumento de Niederwald. Trata-se de um mirante com uma construção de cerca de 40 metros e a estátua de uma mulher, conhecida como Germânia, olhando para o horizonte, em direção da França; é como se sua figura ficasse de olho no país que, mais de uma vez na história, foi um inimigo.

O terceiro dia tende a ser o pior para os ciclistas de primeira viagem, que passam a conviver com dores, nas coxas e nos glúteos (uma opção é levar um banco extra, com gel, para deixar o assento mais aconchegante na bike).

No trecho até a cidade de Rüdensheim, a paisagem do Reno é trocada por outra mais rural, cortando vinhedos. Ali, a produção do vinho é um dos principais meios de sustento.

Seguindo para St. Goar, é hora de pegar a balsa para atravessar o Reno. Do outro lado do rio, a paisagem é similar: muito verde, pequenas cidades e mais castelos ou edificações históricas.

É nesse trecho que fica o parque de Boppard, acessado mais rapidamente por outro teleférico. De lá se tem uma vista inusitada do Reno -o rio faz uma grande curva e dá a impressão de ter quatro lados.

Antes da chegada a Colônia dá tempo para uma pausa em Koblenz, onde se visita a fábrica Koblenzer, que produz pilsener, weizen (trigo) ou kellerbier -a chamada cerveja de adega, acondicionada em barris.

O passeio, claro, acaba no bar, com queijos e salsichas para acompanhar a bebida fresquinha, saída direto da torneira.

RIO LIMPO

O vale do Reno passa apenas por uma pequena parte da extensão do rio, que corta seis países ao todo: Suíça, Áustria, Liechtenstein, França e Holanda, além da Alemanha.

Hoje considerado limpo, o rio era dos mais poluídos da Europa. A gota d’água foi um incêndio em uma empresa química suíça, em 1987, que jogou vários dejetos no Reno.

Sua recuperação só foi possível pela cooperação dos países, em um plano que custou cerca de R$ 49 bilhões, usados em boa parte na construção de estações de tratamento de água e de monitoramento ao longo de seu percurso.

Aproximadamente 20 anos depois, o rio voltou a ser amplamente navegável. Das 64 espécies de peixe que viviam lá, 63 voltaram.

Além do projeto, a força da opinião pública foi fundamental para a conscientização das empresas que funcionam à beira do rio. Hoje, suas águas são usadas para obtenção de energia e até na produção cervejeira.

 

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